dezembro 26, 2007
Ano Novo
"Há muito tempo
Que essa minha gente
Vai vivendo a muque
É o mesmo batente
É o mesmo batuque
Já ficou descrente
É sempre o mesmo truque
E que já viu de pé
O mesmo velho ovo
Hoje fica contente
Porque é Ano Novo"
(Chico Buarque)
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dezembro 20, 2007
Poemas de Dezembro
Procuro uma alegria
uma mala vazia
do final de ano
e eis que tenho na mão
- flor do cotidiano -
é vôo de um pássaro
é uma canção.
(Carlos Drummond de Andrade - Dezembro de 1968)
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dezembro 08, 2007
Se cada dia cai
(Pablo Neruda)
Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.
Posted by Sandino at 08:39 PM | Comments (2)
novembro 16, 2007
pupixels/pixelisergia
[pupilas pixelisérgicas]
Por Pedro Vale
o tique-taque
do estrobo bobo
forçando pupilas
em movimentos
parkinsonianos.
convulsões estrobofrênicas
quebrando a harmonia
dos movimentos do devir
atordoando o dia a dia
desta sucessão de ir e vir.
Posted by Sandino at 11:53 AM | Comments (0)
maio 24, 2007
eterna bandeira
"Eu faço versos como quem chora
De desalento. . . de desencanto. . .
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente. . .
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre".
(Desencanto - Manuel Bandeira)
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janeiro 01, 2007
o Drummond de cada ano (novo)
A Globo cortou Drummond na queima de fogos na Praia de Copacabana...mas vendeu como ninguém o último comercial do ano.
Receita de ano novo
(Carlos Drummond de Andrade)
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Posted by Sandino at 02:55 PM | Comments (1)
julho 16, 2006
ADVOGADO DO DIABO
(Marcos Valadão/Ricardo Gasparini)
Eu não sou o que dizem que sou
Nem tu és o que dizem que és
Me diga promotor
O seu tempo já passou
Quem é o vilão dessa história?
Meninos enjaulados nada disso é conversa
São todos pecadinhos que até hoje Deus confessa
São filhos do sinal
São filhos de Zumbi,
São filhos dos que choram
E também de quem sorri
Por isso poupe a pompa e olhe para si!
Não há quem não corrompa com tanta lei assim
A sua mesa é fina mais a minha mesa é forte
Brincando com o destino
Tratamento e choque!
Alheio a tudo, alheio a todos
Passando frio e pegando fogo!
Alma danada seu crime é o castigo
Eu quebro a regra do jogo
Atire a pedra no pequeno mas um
Dia você vai se queimar
Posted by Sandino at 08:30 PM | Comments (1)
dezembro 30, 2005
365
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a chegar ao limite da exaustão. Doze meses dá para qualquer ser humano cansar e entregar os pontos. Ai entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante será diferente".
(Carlos Drummond de Andrade)
Posted by Sandino at 11:16 AM | Comments (0)
dezembro 21, 2005
$$$ Natal $$$
"Menino, peço-te a graça de não mais fazer poema de Natal. Uns dois ou três, inda passa...Industrializar o tema, eis o mal."
(Carlos Drummond de Andrade)
Posted by Sandino at 10:06 AM | Comments (0)
dezembro 15, 2005
A cura de Shopenhauer
(Sandino)
Não quero mais saber de Shopenhauer
Os pessimistas são derrotados
Mesmo antes do prefácio
Não quero saber de coisas tristes
De gente ranzinza
De mal com a vida
Não preciso mais de Nietzsche
Tenho aprendido tanto
A gente avança com o sorriso de uma criança
Abro mão de pensar demais
Pensar é errar
Troco a vã filosofia por uma garrafa de tubaína
Posted by Sandino at 11:53 AM | Comments (1)
Achado
(Sandino)
De repente tudo se perdeu
Tudo! Exatamente tudo
Encanto, vísceras
Tornou-se revolto espanto
Acaso importuno
Sua imagem não vingou
Ficou empacada, atravessada
Falência
Já alertei que meu canto se foi
As promessas: palavras
Coisas falíveis
Que não combinavam
Com quem não caminha
Em que pese tudo
Tudo se perdeu
Embora ache
Que me achei...
Posted by Sandino at 11:18 AM | Comments (0)
dezembro 10, 2005
pensamentos sandinistas...
"Não sobreviveremos, a menos que sejamos um pouco loucos".
Posted by Sandino at 07:45 PM | Comments (1)
agosto 26, 2005
Leminski sempre!
"Esta vida é uma viagem
pena eu estar
só de passagem"
(Paulo Leminski)
Posted by Sandino at 09:11 PM | Comments (0)
Por que te vas?
Boa Viagem
(Isabella Benício)
Quem parte não imagina
Que a mala arrumada
Não leva apenas os pertences
Tão cuidadosamente escolhidos.
Leva as marcas das entranhas,
Belas, doídas, feridas, vividas,
Compreendidas ou estranhas.
Leva pilares da vida.
Leva pessoas, leva valores,
Leva dúvidas, certezas, delicadezas,
Medos, enredos, segredos,
Leva alegrias, poesias, dores,
Leva os pais, os avós, os amigos,
Os amores.
Leva o concreto e o etéreo,
A claridade e o breu,
Aquilo que lhe é caro e
O que não reconhece como seu.
Leva o que vai no ar, aquilo que não se vê,
Ocupando o ínfimo espaço entre livros,
Roupas, poemas, músicas e guardados,
Entre os objetos conscientemente separados.
Leva no ar quem há de lhe velar à distância,
Silenciosa e resignadamente,
Por cada passo, a cada beco, a cada copo,
A cada esquina em que houver uma garoa,
A cada fracasso ou conquista boa,
A cada gripe que quiser lhe pegar,
A cada insônia que não lhe deixar sonhar.
Quem parte não se dá conta que leva
O que distraidamente fingiu esquecer.
Leva algo de quem fica
Única coisa capaz de aquecer
Quando a solidão teimar em doer.
Por isso, se o choro chorar baixinho,
Ou quando a saudade for dor
Me tira do fundo da mala
E me faz teu cobertor.

Posted by Sandino at 09:03 PM | Comments (0)
julho 29, 2005
Eternamente Borges!
Instantes
(Jorge Luís Borges)
Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, seria mais relaxado.
Seria mais bobo do que fui;
na verdade encararia muito poucas coisas com seriedade.
Seria menos higiênico,
correria mais riscos,
faria mais viagens,
contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais em rios.
Iria mais a lugares a que nunca tivesse ido.
Comeria mais sorvetes e menos verduras.
Teria mais problemas reais e menos imaginários.
Eu fui dessas pessoas que viveu sensata
e corretamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar atrás,
procuraria apenas ter bons momentos.
Se não sabem, disso é que é feita a vida,
somente de momentos. Não percam o agora.
Eu fui uma dessas pessoas que nunca ia a parte alguma
sem levar um termômetro, uma bolsa de água quente,
um guarda-chuva e um esparadrapo;
Se pudesse voltar a viver,
viajaria mais levianamente.
Se pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no princípio da primavera
e seguiria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na calçada,
contemplaria mais amanheceres
e brincaria mais com as crianças;
se tivesse outra vez a vida pela frente...
Mas já se vai, tenho 85 anos e estou morrendo.
Posted by Sandino at 01:01 AM | Comments (0)
julho 09, 2005
Just like Neruda
"Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,
são eternos como é a natureza".
(Pablo Neruda)
Posted by Sandino at 10:08 PM | Comments (2)
junho 08, 2005
Receita para se viver...
Quem morre?
Pablo Neruda
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca. Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante. Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.
Posted by Sandino at 10:46 AM | Comments (1)
abril 17, 2005
pensamentos sandinistas...
"Violenta não é só a ação do ladrão, que não hesita em esfaquear a vítima para desta subtrair um relógio. Ou a ação do homicida, que num rasgo de primarismo ceifa a vida do seu semelhante, às vezes por questões diminutas. Violento é também o governante inescrupuloso, que não tergiversa em lançar mão de recursos públicos para ornar jardins suntuosos de suas propriedades privadas, abarcando para si a verba que saciaria a fome de milhares de crianças carentes e retiraria dos corredores infectos dos hospitais os miseráveis que têm a desgraça de cair em doença".
Posted by Sandino at 10:49 PM | Comments (0)
janeiro 19, 2005
Você não sabe quem eu sou
Você não sabe quem eu sou
Nem mesmo eu sei quem sou
Não sei se sou um homem bom ou ruim
Não sei se sou alguma coisa enfim
Não sei mais o que tirar de mim
Prá você, só prá você, meu amor
Você não sabe aonde eu vou
Nem mesmo eu sei aonde vou
Não sei se este é o começo ou o fim
Só sei que devo ir e me despir
Não sei mais o que tirar de mim
Prá você, meu amor
Estou tentando me lembrar
Eu sei que fiz você chorar
Com o tempo eu pretendo melhorar
Não sei mais o que tirar de mim
Mas reconhecer é aprender, meu amor
Reconhecer é aprender, meu eterno amor
Posted by Sandino at 05:17 AM | Comments (1)
dezembro 23, 2004
Natal em Neanderthal
"...Homem de Neanderthal já fui/E acho isso muito natural/Diferença alguma vai fazer/Se este ano não sobrar para o natal..." (Frank Jorge)
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dezembro 16, 2004
me voy
“…não ficou nem uma foto para contar/de perto ninguém acreditaria/como tanta alegria/acabou num cataclisma…”
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dezembro 13, 2004
corações sandinistas
Sandina (Replicantes)
Sábado todo, eu chorei de mágoa
Minha garota foi pra Manágua
Lutar pela revolução
Lutar pela revolução
Todo mundo vai embora
Todo mundo tem sua hora
Ela me deixou, me trocou
Por um sandinista especialista em granada
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dezembro 05, 2004
Ruído Rosa e Rubro
Um minuto pra pensar/Que a vida leva e traz/O que eu faço ela desfaz/Pensamentos são como ladrões/Me roubando tempo/Levam minha paz/Pois todo mundo está só/Pra saber o que é bom/O ruim e o tanto faz/Às vezes não quero escolher/E as pessoas vão dizer/Que eu vivo de ilusão/Vou desaparecendo/Mas estou sempre lá/Sei que por um momento/Fujo sem sair do lugar/Um segundo pra esquecer/Tudo que me apraz/E não tenho mais/Pensamentos são como ladrões/Me roubando tempo/Levam minha paz.(E o Vento Levou - Pato Fu)
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dezembro 04, 2004
Sandino vive...
Já me matei...
Paulo Leminski
já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre
nunca mesmo o sempre passo
morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma
morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma
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novembro 23, 2004
Oscar Fingall O'Flahertie Wills Wilde

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novembro 22, 2004
Para ser humano

...para ser humano não precisa se esforçar/ basta acenar com a mão e a cabeça balançar/ Pode até mentir, pode até chorar/pode até sorrir, pode até matar.../veja o mundo afinal/sempre a beira do abismo o apocalipse now!/De um lado o racismo do outro o populismo/ mundo sexista, mundo chauvinista!!! Para ser Humano (Edgar Scandurra)
Posted by Sandino at 11:22 PM | Comments (0)
Fronteiras
Fronteiras (por Augusto Cesar)
Estava esperando um telefonema teu
Estava querendo por minha voz no seu ouvido
Estava imaginando teu olhar mirando o meu
Estava desejando um beijo em teu umbigo
Sei que falei o que não devia
Sei que fiz o que não podia
Sei que amanheceu um novo dia
Sei que há uma fronteira depois da Argentina
Estou aqui esperando pra ver se você vem
Um beijo afasta esse tormento
Deita nesse amor que é só seu
Chega de perder tanto tempo
Posted by Sandino at 08:06 PM | Comments (0)