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fevereiro 01, 2005

Jornalismo gonzo

Pedro Dória descasca Hunter Thompson. Czarnobai (a.k.a. Cardoso), que monografou sobre Gonzo Journalism, argumenta que o primeiro não entendeu.
Não lí os originais de Thompson para atestar o que diz Cardoso em seu trabalho - de que o gonzo-mor abusa da criatividade no uso da língua inglesa - mas gosto do estilo. Nem concordo que o fato de que Thompson ser "reacionário, imperialista e incrivelmente preconceituoso" - segundo Dória - o torne mais ou menos relevante para o jornalismo.
Nunca levei os textos gonzo muito à sério. E acredito que é aí que está o seu grande trunfo - não é preciso acreditar num jornalismo assumidamente ficcional.
A treta toda está no fato de que isso seria uma contradição - afinal, o jornalismo propõe a apuração da verdade. Se você está absolutamente chapado* durante a apuração dos fatos, não pode chamar o resultado de jornalismo. Mas deixo isso pros profissionais discutirem à exaustão.
O que posso (posso?) falar é sobre o estilo dos brasileiros, até onde um leitor leigo pode enxergar.
O gaúcho Cardoso segue os passos do mestre, com suas egotrips, capital letters e a necessidade de, às vezes, nos obrigar a consultar o tio Houaiss. É leitura que prende pelo excesso de detalhes na descrição de fatos corriqueiros, como na narração de um acidente automobilístico que sofreu (será?) no ano passado.
O carioca Pedro Dória escreve textos fluídos e extensamente informativos - como o post sobre os 60 anos desde que os aliados encontraram Auschwitz - e, acredito, é um dos jornalistas que mais se adaptou ao meio de comunicação digital.
Em resumo, o que os dois produzem é leitura diária quase que obrigatória.
* Gonzo Journalism não é só isso - existem muitas singularidades de estilo - umas interessantes, e outra um verdadeiro pé-no-saco. Pra saber mais, leia o trabalho do Czarnobai.

Posted by Darcio at fevereiro 1, 2005 11:57 PM

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Comments

Conheco e adimiro o jornalismo gonzo desde que lia o maravilhoso CAOS que infelizmente foi extinto.
Parabens pela materia e pela analise dos fatos.
Desculpe a falta de acentuacao, pois estou teclando num teclado americano.
Abracos

Posted by: Neto cury at fevereiro 2, 2005 05:48 PM

"Nunca levei os textos gonzo muito à sério. E acredito que é aí que está o seu grande trunfo - não é preciso acreditar num jornalismo assumidamente ficcional."

Precisamente, COMPADRE. Não é um tipo de JORNALISMO que imita a ficção; é um tipo de ficção que imita o JORNALISMO.

Posted by: Cardoso at fevereiro 4, 2005 01:04 AM

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