outubro 18, 2007

Control: uma homenagem digna ao Joy Division

Melancolia fria, romantismo negro e desesperança pós-industrial. O fotógrafo Anton Corbijn faz reviver o universo sombrio do grupo inglês de pós-punk Joy Division em seu filme "Control", que relembra o destino trágico de seu vocalista, Ian Curtis, e é muito mais que uma simples biografia em celulóide.
O filme, muito bem recebido, despertou grande expectativa. O Joy Division, nascido das cinzas ainda quentes do movimento punk, influenciou muitos grupos. Por outro lado, Corbijn, um holandês de 52 anos, que assina seu primeiro filme, é um grande nome da foto e dos videoclipes de rock, colaborador de bandas como Depeche Mode e U2."A princípio, não queria fazer um filme relacionado com a música porque me parecia previsível demais", contou em entrevista à AFP.
Ao estilo de Gus van Sant em "Últimos Dias", baseado no suicídio do cantor do Nirvana, Kurt Cobain, Corbijn se concentrou no sofrimento e na solidão de Curtis, mais do que na mitologia do rock. "Cresci em um meio protestante e tudo estava vinculado ao homem e à sua forma de reagir com relação ao seu entorno", explica. "Isto é flagrante nas minhas fotos, sobretudo as primeiras: não têm como objetivo a dimensão orgásmica dos concertos, mas a criação e como influem nela as dificuldades da vida".
O filme é pontuado pelos maiores sucessos do Joy Division, de "Love will tear us apart" a "Atmosphere", passando por "She's lost control" (que inspira o título do filme) e "Transmission".
Quanto às cores, Corbijn optou por um preto e branco com forte contraste, característico de seu estilo fotográfico. A encenação é sóbria e elegante, muito distante da estética videoclipe que se poderia esperar.
Definitivamente, é uma homenagem digna do Joy Division, que depois da morte de Curtis se transformou na banda New Order, uma forte influência para grupos atuais, como Bloc Party, Interpol e Editors.

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O filme "Control" relembra o destino trágico de Ian Curtis

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setembro 24, 2007

Bope Pop

Com cenas que "poderiam parecer o noticiário noturno no Rio", o filme "Tropa de Elite" tomou o Brasil de assalto, antes mesmo de estrear, afirma reportagem publicada nesta segunda-feira pelo diário britânico "The Guardian".
"Baseado na vida das forças especiais que operam na capital do Brasil (sic), o filme já está se provando um dos mais polêmicos da história do país. Dezenas de milhares de cópias piratas foram distribuídas por vendedores ambulantes até na Amazônia, enquanto um grupo de oficiais da polícia tentou impedir seu lançamento", diz o jornal.
A reportagem diz que "Tropa de Elite" alega estar baseado em fatos e mostra cenas fortes de policiais torturando e matando traficantes de drogas. "O Batalhão de Operações Especiais (Bope)se considera o 'creme-de-la-creme' das unidades de combate urbano. Alguns afirmam abertamente o desejo de testar suas habilidades no Iraque", afirma a reportagem.

Caveira
O jornal comenta o fato de o logotipo do grupo ser uma caveira perfurada por um facão e que seu hino promete combater os inimigos "a qualquer hora, a qualquer custo".
"A imagem do Bope em "Tropa de Elite", que inclui uma cena na qual um traficante é morto com um tiro de rifle na cabeça, foi considerada tão prejudicial por um grupo de policiais que eles tentaram obter um mandado banindo o filme das telas brasileiras", relata a reportagem.
O jornal observa que o pedido foi negado por um juiz que argumentou que o filme retratava "a realidade do dia-a-dia de boa parte das pessoas que vivem nesta cidade".
A reportagem também cita o governador do Rio, Sérgio Cabral, que descreveu o filme como "um excelente trabalho de cinematografia" que foi "fiel em mostrar os problemas sérios que enfrentamos em termos de segurança pública".

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No Universo de Plínio Marcos

“Querô”: Sem Recompensa
Por Cloves Geraldo*

No universo de Plínio Marcos, ator e dramaturgo santista, os marginalizados estão enredados nas teias de uma sociedade que os trucida sem lhes dar chance de sobrevivência. Prostitutas, assaltantes, ladrões, homossexuais vivem às voltas com situações que muitas vezes não criaram, mas que se tornam, pouco a pouco, parte integrante de suas vidas. Em “Navalha na Carne”, “Dois Perdidos Numa Noite Suja” e “Abajur Lilás”, suas mais conhecidas peças, paredes, luzes e móveis elucidam mais seus desenganos que a enxurrada de palavras brutas e pesadas que jorram de suas bocas. Se existe esperança para eles, ela se esboroa na falta de crença deles mesmos, em escapar do que os aprisiona. Com um universo assim não é de se estranhar que o garoto cuja vida foi gerada nas sombras da marginalidade do cais santista termine por desacreditar de sua própria humanidade, como em “Querô”, de Carlos Cortez, baseado no livro “Reportagem Maldita – Querô”, de Plínio Marcos. Seu grito primal, brotado de uma dor dilacerante, perturba mais que a violência que pontua o filme em algumas seqüências.

Desnorteado, ele vocifera contra a mãe que o abandonou, impreca contra o mundo que o ignora e o remete a becos, ruas molhadas, escadas e corredores sujos, cômodos estreitos, janelas e varandas cheias de roupa. Compreende-se que milhares de adolescentes, iguais a ele, vivem nas ruas e passam por instantes de puro horror de viver. Não receberam carinho da mãe, trocaram carícias com o pai e os irmãos e perceberam uma realidade menos crua, do que a que o cerca. E não têm, devido a isto, como crer numa existência para além do que o cerca. Enxerga, assim, apenas uma saída: confrontar-se com o que o perturba, na tentativa de exterminar aqueles que o empurram, cada vez mais, para a violência, o ódio, a vingança. Uma vingança que destoa do acerto de contas, pois não se trata de liquidar alguém para sentir-se satisfeito, sim de matar para livrar-se do que o atormenta.

Universo de Plínio Marcos impregna o filme
Um tormento gerado pela marginalidade que o impregna e não pela convivência com jovens delinqüentes, homossexuais e prostitutas; todos vítimas como ele. Todos se tornaram prisioneiros de uma estrutura que não os expele, pelo contrário, os atrai para suas entranhas para devorá-los sem que o percebam. E não se pode falar de marginais, de bandidos, seres que tomaram a si a iniciativa de caminhar às margens de uma estrutura que se pretende ética e moralmente sã. São marginalizados em toda sua extensão. Esta consciência se entranha em Querô (Maxwell Nascimento) quando ele descobre o poder da afeição, do carinho e da paixão. Há, sim, um mundo diferente em que a busca não é pela sobrevivência pura e simples, escapar aos achaques da polícia, a curra numa cela da Febem, à necessidade de ter uma arma, para se sentir poderoso. Neste novo mundo, há crença, confiança, palavras amáveis e quem as profere não tem outra intenção senão de fazer o bem.
Nesta relação com pessoas nas quais passa a acreditar; ele percebe a necessidade de construir novas visões, novos espaços. E encontra aliados na afro-descendente que o abriga, a adolescente-evangélica por quem se apaixona e nos amigos conquistados num trabalho diferente do qual se acostumou. Circula com desenvoltura, pensa no outro ser e se relaciona melhor com o mundo que o cerca. Este, no entanto, não é seu espaço; aquele em que a esperteza, a voz alta, a habilidade com uma arma e a capacidade de escapar às armadilhas do inimigo são necessárias. No mundo novo, por ele agora habitado, tem de navegar em águas menos agitadas; nem por isto menos impositivas. Estas visões provocadas pelo enredo que segue em linha reta têm muito do filme policial norte-americano clássico. Neste uma ação provoca a derrocada do marginal, este cumpre uma sentença e depois regressa à sociedade, e tenta, enfim, regenerar-se. Seu passado, porém, o impede de viver longe do crime. Ele então se vê enredado, de novo, no crime, e este o leva a um desfecho prenunciado.

Passado o impede de recomeçar vida comum
Em “Querô” esta situação se faz presente na transição do personagem, da marginalidade para a tentativa de regeneração e, por fim, a compreensão de que o convívio com “pessoas de bem” está distante de sua realidade. Não é que ele não queira, o quer, o redemoinho do crime, seu passado, é que o impede de recomeçar em bons termos. Até chegar a este ponto; Querô perambula por delegacias, celas, ruas sombrias, obtendo seu aprendizado de vida e de delinqüente. Não é um aprendizado qualquer; Querô é adolescente, nasceu na área do meretrício do cais, e, acaba na Febem. O filme é, portanto, sobre um menor que circula pelo inferno da instituição que, supostamente, deveria recuperá-lo para uma vida saudável. Seu aprendizado, pelo contrário, se dá de forma inversa; ao invés de aprender como integrar-se à sociedade ensinam-lhe a reagir em condições totalmente adversas. Vira um animal em toda a sua extensão.
Estas seqüências são as menos elucidativas de “Querô”. Não têm o impacto das cenas veiculadas pelos jornais da TV. Perdem com isto a veracidade. Tornam-se meras cenas de prisioneiros insurgindo-se contra as más condições carcerárias. Mesmo que os personagens sejam menores de idade. Ao que parece, o diretor Cortez os quer equiparar aos adultos, com as mesmas responsabilidades. Eles não discutem, como o fazem seus congêneres reais, o Estatuto da Criança, a necessidade de tratamento melhor na cela e no pátio da Febem; apenas se revoltam. O garoto Querô só provoca emoção ao deixar a “prisão da Febem” e regressar às ruas, aos becos, bares, ao cais, às ruas. Então, é visto como uma criança perdida em meio a barcos, navios, balsas. Não um jovem perigoso, capaz de matar sem nenhum remorso. É neste momento que a crítica chegou a falar em lirismo. Mas nada há de lírico numa existência em que circular por belas paisagens não é nela está integrado.

Personagem não se integra a nenhuma paisagem
''Queró'' não se integra a nenhuma paisagem. Ele não pertence a ela. Está ali como alguém que, quando em trânsito ocupara, momentaneamente, um espaço. Mas não o desfruta. A beleza do ambiente então se perde, torna-se supérflua. Resta, assim, a brutalidade. A mesma vista em obras mais viscerais, contundente, que mergulharam fundo na infância, na marginalidade e no desencanto: “Pixote, a Lei do Mais Fraco”, de Hector Babenco, e “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles. Diante destes, a visão de Marcos/Cortez é romântica, piedosa. Em comum com os garotos destes filmes só a capacidade de matar sem remorso. “Querô” é mais próximo, como já dito, dos policiais americanos das décadas de 40 e 50, que das obras citadas. Principalmente quando lembra a máxima de que a prisão é uma fábrica de bandidos. E da ausência de espaço para redenção, porque ele deve ser punido no final. Babenco e Meirelles lançaram mão de desfechos criativos, mais próximos da realidade.“Queró”, porém, é um filme a que se assiste com atenção, às vezes com sofreguidão dada às situações enfrentadas pelo garoto. No entanto, não provoca impacto ou vai além do sabido pela platéia. Talvez porque o menor marginalizado como tema não provoque mais tanto impacto, embora devesse ser prioridade de toda a sociedade. Esta se acostumou a ele, a sua presença nas ruas, à falta de proteção à infância, à falta de perspectiva para seus pais e para eles mesmos e, sobretudo, à freqüência com que surge nas salas de milhões de lares brasileiros, via televisão, em situações violentas. E em todas as camadas sociais: na alta burguesia quando queima índio em ponto de ônibus, no meio operário ao arrastar criança pela via pública, durante roubo de carro, e na classe média ao roubar apartamentos.

Repetição da violência embrutece sensibilidade
Vê-se que a repetição cria costume, embrutece a sensibilidade, desvia a atenção e cria a imagem de que ele é parte do que deve ser extirpado da sociedade, quando esta é quem os cria e os abandona. E até isto já é compreendido pela população que, no entanto, não reage à altura. Faltam então ações políticas para, de fato, evitar que toda uma geração se perca nas estatísticas de marginalizados transformados em cadáveres. Não pode ser esta uma política – a de deixar o próprio crime resolver os problemas da marginalidade, pois esta não o soluciona, pelo contrário, o agrava porque não se defronta com políticas de Estado em suas comunidades. O desfecho de “Querô” contribui para a necessidade de que algo precisa ser feito e rápido. O que já é muito para um filme.

* Cloves Geraldo é jornalista

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junho 19, 2007

Onde a lua se parece com a bandeira da Turquia...

Billy Hayes, o norte-americano que teve uma experiência penosa em uma prisão turca, retornou a Turquia para reparar os prejuízos que o filme “O Expresso da Meia-Noite” causou a imagem do país.
Em 1970, Hayes, na época com 23 anos, foi preso no aeroporto de Istambul portando haxixe e foi sentenciado a 30 anos de prisão. Ele conseguiu escapar e escreveu um livro sobre essa experiência. Em 1978, o livro foi adaptado em um roteiro para a telona por Oliver Stone. O filme foi dirigido por Alan Parker e venceu dois Oscar.
De volta 3 décadas depois, Hayes admitiu: “O filme não foi justo com os turcos ou verdadeiro em relação ao que aconteceu comigo”. E completou: “Eu não escrevi o roteiro ou dirigi a produção, mas aceito a minha cota de responsabilidade pelo prejuízo. Eu sempre quis retornar a Istambul e consertar esse episódio”.
Hayes estava proibido de entrar na Turquia, mas essa decisão foi revogada temporariamente, pois o governo turco acreditou na sinceridade de seu remorso.
O filme apresentava um quadro terrível de como era a vida em uma prisão turca com cenas horríveis de tortura e estupro. A produção foi taxada na Turquia como sendo um retrato racista do país, em que todos os personagens locais foram construídos como vilões. Mesmo sendo divulgado que a tortura era uma característica das prisões turcas na época, Oliver Stone foi criticado por ter tomado algumas liberdades no roteiro baseado no livro de Hayes.
Stone esteve em Istambul em 2004 e na época declarou: “Nunca tive a intenção de ser contra a Turquia. Escrevi de forma voluntariosa, pois era muito jovem e queria provocar uma reflexão”.
“O Expresso da Meia-Noite” foi banido na Turquia por muito anos e só foi exibido na televisão turca nos anos 90.

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fevereiro 27, 2007

O Bichão de Picolândia II – versão para net

O jornalista Marcello Lujan (amigo interpessoal de Sandino desde os tempos da maternidade) pede para fazer um jabá de “O Bichão de Picolândia II”
Após causar pânico na cidade de Picolândia com seu jeito atabalhoado e ser caçado pelas autoridades locais, o Bichão está de volta!!! Dessa vez, em "O Bichão de Picolândia II", ele acaba se envolvendo numa trama repleta de humor e ação em meio à campanha eleitoral de Picolândia. Na versão para Internet, o filme foi dividido em 3 partes:

CLICK E ASSISTA
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3 (FINAL)

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fevereiro 09, 2007

Por onde andei...

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Depois do sucesso na estréia, o Bichão retorna as telas (por enquanto somente em DVD, breve na rede) . Dessa vez, o Bichão chega a Picolândia em plena campanha eleitoral... O Bichão de Picolândia II trata com muito humor os bastidores da política, com seus personagens, criadores e criaturas.

ELENCO -ALAN BETIOL - ANDRÉ CAVALARO - CLAUDIO BANIN -EVANDRA CP LUJAN - FARLEY VINICIUS SOUZA - FLÁVIA MORAIS - GABRIELA MANON DE OLIVEIRA - MAYARA BERNARDES - MARCELLO LUJAN - MARCO TULIO - MARIA JOSÉ - RÉGIS GRASSI - RODRIGO ALVES DE CARVALHO - TATIANA BRITO - THIAGO T.TRIVELLATO - VANESSA MILANES - WILLIAN ARRUDA - PARTICIPAÇÃO ESPECIAL - RICARDO HENRIQUE PANIZOLO - WAGNER “COLORIDO” BASSI - AS CRIANÇAS - CAYO, GABRIEL, TUANE E RHUAN. MAQUIAGEM - VANESSA MILANES - TRANSPORTE E OPERAÇÕES - RÉGIS GRASSI -ASSISTENTE DE DIREÇÃO JR - CAYO LUJAN - PRODUÇÃO - ATIVA COMUNICAÇÃO LOCUÇÃO INCIDENTAL - MARIO LUIZ E BETO AMARAL - EDIÇÃO - JAIRO STOCO - ROTEIRO - RODRIGO ALVES DE CARVALHO E MARCELLO LUJAN - DIREÇÃO - MARCELLO LUJAN

Color/ 20 minutos - NTSC - Menu interativo com making off e fotos.

Posted by Sandino at 08:42 PM | Comments (5)

agosto 15, 2006

O Bichão de Picolândia

Gravado no final do ano passado, o curta-metragem “O Bichão de Picolândia” narra à crise existencial de uma misteriosa criatura. O filme que tem duração de aproximadamente oito minutos contou com a participação de atores e moradores de Jacutinga (MG).
O filme traz no elenco os atores Leandro Augusto Mello, Paulo César Crivelaro e André Luiz Souza. O roteiro é assinado pelo escritor Rodrigo Alves de Carvalho e a direção é do jornalista Marcello Lujan.

Duração: 8 minutos
Click aqui e assista o “Bichão de Picolândia”

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O Bichão: crise emocional e final surpreendente

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fevereiro 28, 2006

Stoned: A História Secreta dos Rolling Stones nos cinemas

O filme deveria se chamar "A História Secreta da Morte de Brian Jones". Dos Stones há muito pouco, apenas aparições com raras falas. A infância e adolescência do guitarrista e fundador da banda é mostrada rapidamente e se centra nas suas crises e extravagâncias até sua morte por afogamento (assassinato?) na piscina de sua casa em 1969. Para um filme sobre o membro fundador de uma das bandas mais famosas do mundo, "Stoned -- A História Secreta dos Rolling Stones" é decepcionante.
O filme descreve a queda de Brian Jones, cuja sede insaciável por hedonismo contribuiu para seu fim tanto profissional quanto pessoal, e termina contando seu afogamento em sua própria piscina aos 27 anos de idade.
Apesar de exibir grandes quantidades de sexo e drogas, o longa economiza no rock 'n' roll. O filme ofereça uma revelação sobre as circunstâncias da morte de Jones, mas o desfecho é monótono em vez de estimulante.
A história, que marca a estréia na direção de Stephen Woolley, um produtor veterano que tem uma longa associação com Neil Jordan, mostra a vida de Jones quando ele ainda não havia chegado ao fundo do poço. Mas era apenas uma questão de tempo antes que Jones, interpretado por Leo Gregory, fosse expulso do grupo ao preferir se refugiar no interior de Sussex em vez de aparecer para os ensaios da banda. Enquanto isso, ele preenche seus dias e noites em um transe provocado pelas drogas, se relacionando com Anita Pallenberg (Monet Mazur) e Anna Wohlin (Tuva Novotny), entre várias outras.
A sensação frequente em "Stoned" é que o diretor, que há mais de uma década queria contar a história de Jones, não está bem certo sobre que história contar. O resultado é que o trabalha vacila, repetindo indiferentemente suas ações.

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O esperado "Stoned": passando longe da história

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janeiro 31, 2006

Morte e tabu
Por Denise Mota*

Em meio ao horror e ao delírio da guerra, uma lufada de amizade, juventude e inocência. Não se trata de “O resgate do soldado Ryan”, mas de uma recuperação muito mais próxima das latitudes sul-americanas: “Iluminados por el fuego”, resgate fílmico da história dos 655 mortos, 1.100 feridos e 11.313 prisoneiros que combateram sob a bandeira argentina na Guerra das Malvinas, em 1982. O longa venceu o Prêmio Especial do Júri no Festival de San Sebastián em 2005 e tem previsão de estréia no Brasil no primeiro semestre desse ano.
Dirigido por Tristán Bauer (do documentário “Evita, o túmulo sem paz”, exibido em 1998 na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo), a produção é uma ficção com registros documentais que devolve rosto e voz a personagens apagados da memória argentina depois do fracasso do país no conflito com o Reino Unido. O tema ainda é tabu numa sociedade que aprendeu a “desmalvinizar” (isso é, não tocar mais do assunto, ordem expressa dos mandatários do país aos soldados a caminho de casa) assim que o embate chegou, sem honra nem glória, ao fim.

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Cena do filme "Iluminados por el fuego", do diretor Tristán Bauer

“Tratar das Malvinas é difícil. Esse é ainda um tema abafado pelo cinema. Depois de 23 anos, e num período em que mais de mil ficções foram filmadas na Argentina, pouquíssimas tratam da guerra”, diz Bauer, de 46 anos.
“Há uma contradição na maneira como se vê tudo isso, o sentimento de recuperação de um território, entendido como nacional, com uma guerra no meio, e que se tornou um crime executado pelos generais da ditadura. Mas que teve também a população, no momento de anúncio do conflito, apoiando a decisão, como se estivéssemos entrando num campeonato de futebol. Aí veio a derrota e, depois, já não se fala mais disso”, analisa Bauer. “Sabíamos que se tratava de um tema complicado, mas assumimos o desafio.”
Entre eles, conseguir patrocínio para a produção, obter auxílio do Exército e, especialmente, vencer a desconfiança dos habitantes das Malvinas. A ajuda do Exército, para serem reproduzidas cenas de batalha, nunca se concretizou, apesar do apoio público às filmagens por parte do presidente argentino Néstor Kirchner. O diretor teve que recorrer aos serviços de uma companhia de dublês e efeitos especiais).
“Quando começamos a buscar apoios, as produtoras falavam: ´Esquece isso, das Malvinas as pessoas não querem nem ouvir falar`”, conta Bauer. E, uma vez desembarcados nesse território aparentemente destinado ao esquecimento, não encontraram uma população exatamente receptiva. “Filmar nas ilhas foi muito complexo. Chegamos depois de ´Fuckland`, filme que gerou muito antipatia por lá. A relação com os habitantes era de suspeita. Acabamos estabelecendo um relacionamento mais próximo com os jovens e uma convivência mais limitada com quem era mais velho. Mas foi, sempre, uma relação de respeito.”
Realizado em 2000 por José Luis Marques, “Fuckland” mostrava, com o propósito de emprestar algum humor e tom documental à situação, o desenvolvimento do plano de um jovem argentino: entrar clandestinamente nas Malvinas, engravidar uma mulher que fosse descendente de britânicos e, assim, ir reconquistando o território, através de um novo “povoamento”.
“Iluminados por el fuego” também coloca todas as suas fichas na valorização do sentido humano por trás da questão territorial e igualmente se ocupa de respingar cores da realidade em meio às liberdades garantidas pela ficção, mas o faz de modo muito diverso.
O longa-metragem é baseado em livro homônimo escrito por Edgardo Esteban, 43, hoje jornalista e presidente da Associação de Correspondentes Estrangeiros da Argentina. Aos 19 anos e faltando apenas uma semana para deixar o serviço militar, Esteban recebeu a convoção para lutar pela Argentina nas dez semanas em que perdurou o conflito.
Sua narrativa, realizada em parceria com Gustavo Romero Borri, descreve alguns desses 70 dias que abalaram definitivamente seu mundo, quando presenciou fome, frio, castigos, arbitrariedades e mortes. Por uma troca na escala de guarda dos soldados, Esteban não estava no seu posto quando uma bomba matou um colega de luta, Eduardo Vallejo -recruta que lhe substituía excepcionalmente naquele dia (leia trecho do livro abaixo).
Edgardo Esteban voltou às Malvinas em 1999 e depois em 2002 e 2003, para colaborar na produção do filme, experiência que lhe “fechou feridas”, segundo descreve. “Tenho minhas próprias Malvinas dentro de mim, e voltar ali foi poder tocar esse passado e dizer: ´Chega`. Fazer o que sempre digo: tratar de me comprometer com a vida.”
Ao longo dos dias e das baixas, os soldados perdem companheiros, perdem contato com a família, perdem a noção do tempo, já não compreendem por que e como estão lutando, perdem a vontade de viver. Em “Iluminados por el fuego”, a experiência é revivida sob o protagonismo de outro Edgardo, Leguizamón, nome do personagem encarnado por Gastón Pauls (o malandro jovem de “Nove Rainhas”). “Gastón tem uma generosidade e um compromisso como ator que lhe permitiram manter-se no projeto por quatro anos. Levei-o às Malvinas e uma vez lhe disse que, se ele conseguisse, nem que fosse por 15 segundos, transmitir o momento por que passa um menino de 18 anos a quem não se pode pedir que pense na morte, já seria suficiente”, diz Esteban. “Gastón conseguiu isso de maneira fantástica.”
Ao custo de US$ 1,2 milhão, o longa levou cinco anos para ser concluído, depois de obter recursos argentinos e espanhóis. Em cartaz na Argentina há dez semanas, já foi visto por mais de 350 mil espectadores, sinal para Bauer de que “hoje, finalmente, há interesse real nesse assunto”.
Ao lado da trajetória fictícia de Leguizamón, “Iluminados por el fuego” apresenta imagens de arquivo argentinas e britânicas e conteúdo resultante de entrevistas feitas com vários ex-combatentes. “Adotamos um trabalho de investigação como se estivéssemos tratando de preparar um documentário”, explica o diretor. “Escrevemos um roteiro que, se não chega a respeitar completamente o livro, mantém seu foco no olhar humano. Antes de fazer esse filme, não sabia da quantidade de suicídios que aconteceram por conta da guerra.”
“A sociedade se calou sobre as Malvinas porque também foi cúmplice de Leopoldo Galtieri (1926-2003, então presidente do país). A ´desmalvinização` derivou em mortes. Não houve psicólogos, nenhuma política de Estado que desse suporte aos soldados depois que voltaram. Isso fez com que o número de suicídios entre eles fosse maior do que as mortes em combate terrestre. Há 309 suicídios oficialmente registrados -mas fala-se em até 400-, contra 267 soldados que morreram em confrontos nos campos das Malvinas”, contabiliza Esteban.
O roteiro tem autoria de Bauer, Esteban, Borri e Miguel Bonasso, e procura não perder de vista a perspectiva humana sobre uma circunstância causada por objetivos eminentemente políticos. “A primeira coisa que havia em mãos era o livro de um ex-combatente. Que não faz análises políticas, geomilitares, ideológicas. Que traz, sim, o olhar de um jovem levado a enfrentar um dos Exércitos mais poderosos do mundo”, pondera o cineasta sobre o livro do jornalista.
O filme é também resultado de uma busca por sanar anseios internos dos dois autores. Dono de uma carreira marcada por produções em que o centro está sempre situado em figuras emblemáticas de seu país -Eva Perón, Cortázar, Borges-, Bauer encontrou nas Malvinas mais uma oportunidade de tratar de seu tema favorito: personagens e fatos históricos argentinos. “Isso é algo que resulta de uma questão muito interior, sou muito marcado pela história, é algo bastante arraigado em mim, um círculo em que a mente se mantém presa”, afirma. “Como se fosse uma maldição interna”, define, rindo. O diretor se divide agora entre as alternativas de começar a produzir uma ficção ambientada nos anos iniciais da ditadura ou priorizar um documentário sobre Che Guevara.
“Quando você tem 18, 19 anos, com todas possibilidades de vida pela frente, não pensa em morrer”, afirma Esteban. “Esse tema da morte, que tanto me atormentava, foi levado ao livro, sob a forma de como a sentia, como me afetava. Estou satisfeito que essa história agora pertença a outras pessoas e que os soldados possam se sentir refletidos no filme.”
Hoje, ainda às voltas com assuntos internacionais, mas a partir do terreno mais seguro do relato jornalístico, Esteban vê os conflitos contemporâneos como “aberrações”. “Sou antibélico”, diz o jornalista em entrevista a Trópico, concedida durante uma pausa sua na cobertura que realiza da Cúpula das Américas, em Mar del Plata, onde se reúnem presidentes de todo o continente. “Sou totalmente contra isso, ´os que mais podem` contra ´os que menos podem`, contra essa maneira de lutar e olhar a vida apenas através de interesses comerciais. Acredito que a palavra, e não as armas, é o que pode mudar o mundo.”

* É jornalista. Vive em Montevidéu.

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janeiro 30, 2006

A hora da vingança
por Jairo Lavia

Os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, na antiga Alemanha Ocidental, desenvolviam-se em clima de paz e harmonia até que na noite de 5 de setembro 11 atletas israelenses são seqüestrados e mantidos reféns pelo grupo de guerrilheiros palestinos Setembro Negro. Dois membros da equipe são mortos. A tensão cresce e um fracassado plano de resgate da policia alemã resulta em massacre. Aos olhos do mundo, o evento torna-se um trágico reality show, com mocinhos e bandidos. Após 21 horas e uma desastrada ação policial no aeroporto militar da cidade, terríveis palavras são pronunciadas pelos jornalistas: “Estão todos mortos”. Reféns, cinco seqüestradores e um policial.
Esse é o preâmbulo para o assunto principal do filme Munique, de Steven Spielberg: a contra-ofensiva israelense nos meses que se seguiram ao atentado terrorista. O filme é narrado pela ótica de Avner (Eric Bana), o oficial da inteligência que abandona a mulher, grávida de seu primeiro filho, e sua identidade para caçar e matar os 11 homens acusados pelo serviço de inteligência de Israel (Mossad) de planejar o ataque terrorista.
Spielberg pisou em terreno minado ao decidir levar às telas as ações do governo israelense depois do atentado de Munique e, de certa forma, reavivar o conflito entre judeus e palestinos. Não há dúvida de que um filme como esse provocaria grandes discussões entre os povos envolvidos em questões étnicas e religiosas. Quando da sua estréia nos cinemas mundiais, Munique provocou controvérsias, com reações dos dois lados, israelense e palestino, que o acusam de ser tendencioso, inverossímil e superficial na abordagem dos fatos da operação denominada Cesaréia. Para o correspondente da revista Time em Jerusalém e autor do livro Striking Back sobre o atentado em 1972, Aaron Klein, o filme é uma grande invenção do diretor.

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Filme de Steven Spielberg concentra-se na missão do Mossad para eliminar os mentores do atentado nas Olimpíadas de 72

Spielberg montou o roteiro com base no livro A Hora da Vingança, do canadense George Jonas, a partir do relato do próprio Avner e cercou-se de especialistas no assunto. Polêmicas à parte, ele construiu um thriller de espionagem inspirado, cuja força se deve a um roteiro que privilegia o âmago do agente, o que coloca o filme também como um excitante drama emocional.
O grupo de agentes liderado por Avner percorre vários países em busca de informações e à caça dos terroristas. À medida que os alvos vão sendo eliminados, cresce a crise de consciência nos próprios agentes e muitas perguntas ficam sem respostas. Aos poucos, percebemos que o herói de Munique agoniza e se esvaece em dúvidas. “Quem estamos matando?”.
Por outro lado, a primeira-ministra israelense Golda Meier se pergunta, ao despachar o agente para a missão: “Será que o único sangue que importa é o judeu?”
O que se vê na tela são cenas e diálogos longe de serem frívolos e passivos. Avner questiona a si mesmo a aos preceitos judaicos, como se perdesse a inocência conforme fortes imagens ricocheteiam na mente do espectador – ora com o clima de expectativa dos ataques sorrateiros do Mossad, ora com os flashes do atentado terrorista.
Não há vencedor – justamente por esse filme valorizar o espectador e deixar de lado o ego de seu diretor. Para os dois lados são dados valores parecidos - e essa é uma das principais críticas feitas por israelenses e palestinos. Pesado na balança, o discurso spielberguiano funciona bem como objeto de reflexão, mesmo que muitas vezes penda para um dos lados: o de que a vingança israelense foi absurda e questionável.
Em Munique o espectador ganha um thriller de espionagem, com boa dose de suspense (que envolve o grupo de justiceiros do Mossad e o elo criado por estes com os informantes e as relações de Avner com sua família). Pelo apresentado, pode-se chegar a conclusão de que houve sim uma noção de que a importância dos fatos se sobrepõe à polêmica e às facilidades partidárias. E essa é a grande sacada de Munique.
Spielberg está tão bom quanto em grande parte de sua filmografia. A diferença é que em Munique há uma dose cavalar de sobriedade e discrição em sua narrativa. O cineasta, descendente de judeus, tinha tudo para fazer um filme “chapa branca” e com clichês sentimentalóides. Ao contrário, há por trás do desenrolar político-cultural de Munique um enredo maduro, sem concessões, e menos espetacular, se for comparado a outras investidas do diretor em temas políticos como A Lista de Schindler (1993) e O Resgate do Soldado Ryan(1998).

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agosto 26, 2005

Cinema Argentino

O Cinema na Argentina tem passado por uma revigoração desde a década de 1990, apesar da forte crise econômica atravessada pelo país. Filmes como El Hijo de la Novia, Nueve Reinas, Plata Quemada, El Abrazo Partido, Kamtchatka, La Ciénaga e Cenizas del Paraíso atestaram um salto de qualidade técnica e de linguagem na produção nacional e lançaram à fama internacional cineastas como Lucrecia Martel, Daniel Burman e Marcelo Piñeyro.
A Argentina também foi o primeiro país da América Latina a produzir um longa-metragem que recebeu o certificado Dogma 95, com o filme Fucklands, de 1999.

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O premiado La Ciénaga: entre o hipernaturalismo e a metáfora

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agosto 10, 2005

Laranja Mecânica: uma obra definitiva

Violento, bombástico, arrebatador, sonoro, dançante e assustador. O alucinado Alex tem sua própria forma de se divertir. Sempre às custas da tragédia dos outros. A transformação de Alex de um punk sem moral até um cidadão exemplar doutrinado e sua volta ao estado rebelde, compõe a chocante visão do futuro que Stanley Kubrick elaborou a partir do livro de Anthony Burgess. As imagens inesquecíveis, a música arrebatadora, e a linguagem fascinante utilizada por Alex e sua gangue, foram moldadas por Kubrick neste conto sobre os caminhos da moralidade. Extremamente controvertido na época de seu lançamento, "Laranja Mecânica" ganhou os prêmios de Melhor Filme e Melhor Direção da Associação dos Críticos de Cinema de Nova York, e recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme.
O poder de sua arte é tamanha que ainda nos atrai, choca e nos mantém preso em seu domínio. Hoje, a temática do filme é tão atual quanto nos anos 70.

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junho 21, 2005

Remake de Fritz Lang

O cineasta Franc Reyes, que dirigiu o drama latino "Império", foi contratado para refilmar o longa "Suplício de uma Alma" (1956), de Fritz Lang. O filme original foi um dos últimos falados em inglês dirigidos por Lang, que morreu em 1976. No elenco estavam Dana Andrews, Joan Fontaine, Sidney Blackmer, Arthur Franz, Philip Bourneuf e Ed Binns.
A história gira em torno de um jornalista que assume um assassinato que não cometeu a fim de mostrar os perigos de evidências falsas e denunciar um promotor que manipulou provas no passado para obter condenações. Tudo segue conforme o planejado até que um amigo, a única pessoa que pode ajudá-lo, é assassinado.
O diretor Reyes estreou como cineasta em "Império", de 2002, estrelando John Leguizamo, Peter Sarsgaard, Isabella Rossellini, Fat Joe e Treach. Ele começou sua carreira como coreógrafo e compositor de música para espetáculos de dança, ajudando a produzir as seqüências de dança no filme "O Pagamento Final", de Brian De Palma.

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"Mississipi em Chamas" : Um filme contra a impunidade

Sem o filme "Mississipi em Chamas" ("Mississippi Burning"), do diretor britânico Alan Parker, poucos se recordariam hoje da morte de três ativistas dos direitos civis no sul segregacionista dos Estados Unidos, em junho de 1964. Nesta terça-feira, 41 anos depois dos fatos, um ex-integrante da Ku Klux Klan (KKK) do Mississippi, Edgar Ray Killen, de 80 anos, foi declarado culpado pelo assassinato destes três jovens por um tribunal da Filadélfia (Mississipi, sul dos EUA).
Convencido de que o cinema tem verdadeiramente um papel político a desempenhar, Parker filmou "Mississippi em Chamas" em 1988. O filme conta a história trágica de três ativistas dos direitos civis assassinados durante o "Verão da Liberdade" de 1964, quando centenas de jovens militantes chegavam ao sul segregacionista para ajudar os negros a se registrarem nas listas eleitorais.
O filme mostra, particularmente, a investigação de dois agentes do FBI (polícia federal americana), que utilizaram métodos diferentes para desmascarar os autores desse crime racista. Oriundo do sul, Rupert Anderson, interpretado de forma marcante por Gene Hackman, mostrava suavidade, enquanto Alan Ward (William Dafoe), vindo do norte, dava socos na mesa. A astúcia de Anderson e a perseverança de Ward puseram um fim à lei do silêncio e ao medo que imperava no sul.
Rodado em apenas dois meses e meio no Alabama (sul), o filme recebeu sete indicações ao Oscar, entre elas a de melhor diretor, e conquistou o de melhor fotografia.
Parker recebeu também o prêmio D.W. Griffith do National Board of Review pela direção. "Mississippi em Chamas" recebeu outros três prêmios da Academia Britânica (com um total de cinco indicações) e o Urso de Prata do Festival de Berlim.

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maio 08, 2005

A face oculta do horror

Apocalipse Now
Por Caetano Procópio e Marcelo Teixeira

Horror! (...) horror! balbucia o coronel Kurtz. O corpo estendido agoniza após sofrer vários golpes da lâmina do seu algoz. A morte põe fim ao tormento. Ele não mais suportava a insanidade daquele inferno. Esperava por alguém que pudesse aliviar a sua dor.
A cena descrita é o momento culminante do filme “Apocalipse Now!”, de Francis Ford Coppola. A guerra do Vietnã transformada numa alucinação em que a delirante odisséia do capitão Willard – incumbido pelo exército americano de exterminar o coronel Walter Kurtz que enlouquecera – ultrapassa o plano da guerra. Absurdo! Este, o tema central do filme, não o absurdo do conflito em si, mas a mentira que ele representa.
A demência revelada por Coppola está próxima de nós: violência, opressão e terror moral, o mesmo que levou Kurtz à loucura e exige a uniformidade do pensamento como verdade indissolúvel. Afinal, até que ponto sanidade e lucidez são nossos consortes? Aceitar a mentira que nos ilude com a possibilidade do futuro pródigo de uma vida de conforto, sucesso profissional e se possível, fama e poder, mesmo que cada vez mais a busca por esse eldorado exija que nos refugiemos em fortalezas cercadas por muros eletrificados, ou quem sabe, tenhamos assassinos particulares para proteger nossas vidas privadas. Absurdo!
A guerra do Vietnã foi uma mentira, como a realidade iminente do século XXI. A pujança material dos dias atuais contrasta com sociedades divididas e brutalizadas pelos antagonismos do processo histórico capitalista. Esse enredo poderia perfeitamente fazer parte do universo kafkaniano – o homem massacrado acaba por transformar-se num monstro insensível e cruel.
Refletir sobre a violência e suas causas invariavelmente nos leva a descobrir a mentira. E a mentira é a face oculta do horror.

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janeiro 22, 2005

La Motta de Scorcese: o bom homem mau

Touro Indomável é um filme que pode ser considerado como uma síntese da obra do diretor Martin Scorcese. Alguns dos mais caros elementos de sua filmografia aí se encontram: personagens de personalidades complexas, violência, realismo, precisão técnica... Fugindo dos maniqueísmos fáceis, das inspiradoras histórias de vida de "homens que se fizeram por si mesmos" e de todas aquelas lições morais e éticas típicas desses tipos de filmes, Scorcese procura traçar um caminho diferente.

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A trajetória de Jake La Motta é mostrada sem aquela manjada figura do herói ou do bandido quase que monolítico em seus sentimentos e emoções, ou seja, com ou completamente sem aquelas virtudes "bíblicas", princípios absolutos próximos da divindade. O La Motta do filme é bem mais complexo do que isso. Sua vida é tão complicada quanto... a de uma pessoa qualquer. Isso mesmo, o que faz o filme ser extraordinário é justamente a desglamourização do seu "herói". Todos os atos, sentimentos e decisões de Jake são dúbios ou falhos, não são nem bons nem maus absolutos. Assim, mesmo em se tratando de uma figura lendária no meio do boxe, campeão mundial, coberto com as glórias e derrotas que tal posição proporciona, em nenhum momento do filme é passada a impressão de que ele seja alguém à margem do seu meio social, uma figura em separado dos seus pares, apartada das atitudes puramente humanas. Nem é o herói campeão que venceu por seus próprios méritos e com a exemplar virtude que determina de antemão os seus atos e nem o bandido de temperamento difícil que espancava a mulher. São os seus erros (mostrados detalhadamente no filme), aliás, que o tipificam como um homem pleno, ou seja, com todas as suas dúvidas e incertezas, erros e acertos.

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janeiro 21, 2005

Encontros e Desencontros: o lirismo das pequenas coisas

Sofia Copolla segue os passos de seu pai e se transforma cada vez mais em uma ótima diretora. Após dirigir o ótimo "Virgens Suicidas", mostra que é um dos grandes nomes promissores do cinema americano. Situada em seu tempo, Sofia busca tratar de questões universais, que pareciam estar desaparecidas das grandes telas e principalmente do cinema americano.
A questão universal tratada em “Encontros e Desencontros” (Lost in translation, 2003) é a existência e suas escolhas...e se de fato temos escolhas. A jovem Charlote, acompanhando seu marido fotógrafo em Tóquio, passa seus dias sozinha em um quarto de hotel. Conhece então o ator Bob, que após ter adquirido fama, casado, e ter seguido os passos conforme o roteiro, se encontra apático a sua própria condição, motivada pela perda do sentido. Juntos iniciam uma amizade. Altera-se ou não o ciclo de ambos, é o segredo deste excelente filme.
O filme foi totalmente rodado em Tóquio, uma alucinação em néon cravada na Terra do Sol Nascente. Uma nação de contrastes, onde tradição, ocidentalização e exageros convivem lado a lado.
Encontros é um filme que prova que a sétima arte não precisa ser milionária para encantar a audiência. Sem efeitos especiais, sem ousadias estilísticas de diretor, sem maquiagens ou estrelismos. Apenas um cineasta preocupado em contar uma história e atores empenhados em torná-la real.
Somente a audição de Just Like Honey, pérola resgatada da banda escocesa Jesus and Mary Chain já valeria o filme.

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Posted by Sandino at 11:46 AM | Comments (0)

dezembro 20, 2004

Poderoso Natal!

Acabo que ganhar uma caixa contendo os três filmes que compõe a trilogia “Poderoso Chefão” e mais um disco de extras. Preciosidade, uma raridade para toda vida!!!

The Godfather (no original) se tornou um épico, recheado de momentos inesquecíveis do cinema. Cenas como o tiroteio na barraca de frutas, o assassinato no restaurante, a chancela, Don Vito no canteiro de tomates, toda a seqüência de Michael na Sicília…

Na segunda parte da saga da famiglia Corleone, terminada em 1974, Francis Ford Coppola e Mario Puzo foram ainda além. O foco deixa de ser o contrabando e passa a ser o jogo, na Meca do entretenimento de azar, Las Vegas. Paralelamente, o filme apresenta toda a infância e a mocidade de Vito Andolini, que mais tarde seria conhecido como Don Vito Corleone.

Dezesseis anos depois surge “O Poderoso Chefão Parte III” - originalmente concebido para se chamar "A Morte de Michael Corleone”.

Na terceira parte, muito mais emotiva e contemplativa, Michael Corleone está arrependido. Depois de tantos anos no controle da família, o caçula dos Corleone passa a tentar legalizar a todo custo seus negócios e sua vida. Michael está em busca de redenção. Perdão pelas suas hipocrisias e desconfianças no passado, mas principalmente, perdão pelo sangue em suas mãos. O mafioso tentará alcançar seus objetivos com a ajuda da igreja católica e do Papa em pessoa!

Recomendo! Indispensável! Visceral!

Posted by Sandino at 12:23 PM | Comments (1)