agosto 14, 2005

Sanguessugas

Se tem algo que irrita nessas correntes que passam por e-mail, são os textos creditados a escritores que, se o remetente tivesse lido em toda sua vida apenas um - só UM - texto, saberia que aquilo jamais poderia ter sido escrito pelo suposto autor.
Então, quando ler um artigo interessante, publicarei aqui, citando a fonte, nesse caso, o jornal 'O Globo'.
...
A lição das sanguessugas
Luis Fernando Veríssimo

Li numa revista “New Yorker” recente que as sanguessugas estão de volta.

Usadas há muitos anos na medicina para fazer sangrias — elas são simplesmente vermes que se atracam em animais e se alimentam do seu sangue — as sanguessugas aplicadas em humanos eram consideradas exemplos particularmente bárbaros de métodos primitivos, felizmente ultrapassados. Mas elas, aparentemente, nunca deixaram de ser usadas e agora estão voltando com prestígio redobrado. Existe um lucrativo negócio de criação de sanguessugas com um grande mercado mundial, não na medicina alternativa ou clandestina mas na terapia normal.


Fiquei sabendo que as sanguessugas não só são aparelhadas para fazerem incisões precisas e aderirem firmemente à pele como expelem um líquido anestésico durante a operação, junto com um vasodilatador, um anticoagulante e um quarto líquido que dispersa os demais por toda a área visada, garantindo a liquidez do sangue. São pequenos kits cirúrgicos descartáveis em forma de minhoca gorda. E funcionam. Aguarda-se para breve a reabilitação de ventosas no tratamento de pulmão fraco.

Aprendi também que existem vários tipos de sanguessugas, inclusive um tipo que vive em cavernas na Nova Guiné e se alimenta do sangue de morcegos — o que não deixa de ter uma certa justiça poética. Mas o ponto a que eu queria chegar, já que esta se trata de uma crônica inspiradora, é que há uma espécie de sanguessuga que vive em sovaco de tartaruga, outra que vive em narina de camelo e outra que vive em ânus de hipopótamo. É isto: nascem, não sei como, criam-se e morrem nestes habitats específicos, como se não bastassem sua forma pouco atraente e sua dieta limitada. Mas mesmo se não tivessem sido poupadas da consciência da sua situação, as sanguessugas que vivem em sovaco de tartaruga teriam o conforto de saber que pelo menos não viviam em narina de camelo, e que as que vivem em narina de camelo saberiam que, por pior que fosse seu destino, por mais que o mundo lhes parecesse injusto e sem perspectiva, estavam melhor que a sanguessuga no ânus do hipopótamo. Esta, a não ser pela glória inversa de ser o mais baixo que se pode chegar no mundo, não teria consolo nenhum.

Esta é a minha mensagem, irmão. Quando estiver desiludido, sem esperança, achando que nada pode ser pior do que como você se sente, pense na sanguessuga no ânus do hipopótamo. E reanime-se.

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agosto 01, 2005

Xarope

Pedro Dória achou a última edição de Harry Potter pior que as outras. Discordo: todas são ruins.

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julho 18, 2005

Lançamento

Cardoso lança livro, Cavernas & concubinas. Entrevista n'O Globo. E um conto: CINCOENTA.

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abril 19, 2005

Portas

O Nemo Nox criou o projeto A casa das mil portas com micro contos exclusivos de blogueiros.

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março 27, 2005

Letras sonoras

Nick Hornby, autor de Alta fidelidade, em entrevista à Folha:
"Escrevo livros porque não posso escrever música".

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fevereiro 21, 2005

Gênio

Assistindo ontem "Planeta dos Macacos" pela milésima vez, lembrei-me de Mário Quintana, mestre de poesia simples e bela.
"O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro."

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fevereiro 11, 2005

O fim da quarta feira

Luis Fernando Verissimo:
"A mudança de costumes acabou também com as histórias de maridos que sumiam durante o carnaval e só reapareciam na Quarta-feira. Voltavam, vestindo ou não a camisa amarela do samba do Ary Barroso, com desculpas fantásticas que podiam incluir até o seqüestro por alienígenas, e elaboradas explicações para o confete no bolso e o batom na nuca. Mesmo quando aparecia numa fotografia da “Cruzeiro”, edição especial de carnaval, lambendo cerveja de uma coxa, o marido sumido tinha a explicação. “Me doparam dentro do disco voador, não me lembro de nada."

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fevereiro 01, 2005

Jornalismo gonzo

Pedro Dória descasca Hunter Thompson. Czarnobai (a.k.a. Cardoso), que monografou sobre Gonzo Journalism, argumenta que o primeiro não entendeu.
Não lí os originais de Thompson para atestar o que diz Cardoso em seu trabalho - de que o gonzo-mor abusa da criatividade no uso da língua inglesa - mas gosto do estilo. Nem concordo que o fato de que Thompson ser "reacionário, imperialista e incrivelmente preconceituoso" - segundo Dória - o torne mais ou menos relevante para o jornalismo.
Nunca levei os textos gonzo muito à sério. E acredito que é aí que está o seu grande trunfo - não é preciso acreditar num jornalismo assumidamente ficcional.
A treta toda está no fato de que isso seria uma contradição - afinal, o jornalismo propõe a apuração da verdade. Se você está absolutamente chapado* durante a apuração dos fatos, não pode chamar o resultado de jornalismo. Mas deixo isso pros profissionais discutirem à exaustão.
O que posso (posso?) falar é sobre o estilo dos brasileiros, até onde um leitor leigo pode enxergar.
O gaúcho Cardoso segue os passos do mestre, com suas egotrips, capital letters e a necessidade de, às vezes, nos obrigar a consultar o tio Houaiss. É leitura que prende pelo excesso de detalhes na descrição de fatos corriqueiros, como na narração de um acidente automobilístico que sofreu (será?) no ano passado.
O carioca Pedro Dória escreve textos fluídos e extensamente informativos - como o post sobre os 60 anos desde que os aliados encontraram Auschwitz - e, acredito, é um dos jornalistas que mais se adaptou ao meio de comunicação digital.
Em resumo, o que os dois produzem é leitura diária quase que obrigatória.
* Gonzo Journalism não é só isso - existem muitas singularidades de estilo - umas interessantes, e outra um verdadeiro pé-no-saco. Pra saber mais, leia o trabalho do Czarnobai.

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janeiro 31, 2005

E-books

A Biblioteca Sabotagem tem um monte de obras pra baixar e ler. Free, mas na ladinagem: "conhecimento não se compra, se toma"

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outubro 14, 2004

Literatura quase marginal

A sociedade secreta da literatura.

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outubro 06, 2004

De novo

>[De novo] E Mr. Robert Zimmermann, vulgo Bob Dylan, insiste em continuar no noticiário. E aqui nos Seresteros, por consequência, já que o cara é o meu motivo pra aprender inglês. Segue mais uma: Indicação de Dylan ao Nobel causa polêmica.

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julho 08, 2004

frase feita

2.42. Ir pras Cucuias Cucuias é o nome de algum lugar, se não real, ao menos imaginário. Provavelmente, uma região maranhense entre os rios Panamá e Marapi, onde vive um subgrupo dos índios pianocotós denominado de cucuianas. Se esta é a origem da expressão, corresponde estrutural e semanticamente com ir pra caixa-prego ou ir pra cabrobó, que são nomes de lugares reais, localizados na Bahia e em Pernambuco, respectivamente. ... Interessante e divertido esse site: A origem das frases feitas usadas por Drummond.

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abril 05, 2004

Sem vaselina

"Quer transgredir mas, na realidade, a coisa mais polêmica que fez nos últimos anos foi comer o Gore Vidal." Fúrio Lonza, sobre o idiota Diogo Mainardi, em 'Odeio crônica', pro Gonzo. Huahuahua.

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março 03, 2004

Quarteto fantástico

Links para sites dedicados aos mestres da ficção científica:
Stanley Kubrick
Arthur C. Clarke
Philip K. Dick
William Gibson
E, pra acabar, 2001: a Space Odyssey explicada em animação flash legendada em português.
._.
Peguei os links na foia.

Posted by Darcio at 08:12 PM | Comments (0)